quarta-feira, 1 de junho de 2011

É uma pena que tudo tenha se tornado assim... assim em você...

O contrário do Amor

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

Martha Medeiros

terça-feira, 31 de maio de 2011

Eu tenho fugido muito. Me mascarado em ausências, em limitações, em disfarces... Tenho fugido porque até hoje não sei ao certo como me comportar numa situação que só me traz incomôdo. Pensei que o tempo faria com que as coisas se tornassem moinhos de ventos, mas descobri que a distância é quem transformou as coisas assim, o que me causa medo.. Tudo isso porque eu não consigo fugir pra sempre, e o meu esforço tem sido em vão. Não que eu queira expulsar da minha vida o que faz parte da minha história, só que mecher na mesma gaveta todos os dias vai deixando tudo gasto, exausto, doloroso... e fugir tem me poupado disto.
Eu já nem sei por quanto tempo vou fugir, vou sentir , vou reviver em lapsos de memórias cruéis...acredito que nao possuir o devido controle pra dizer isto , já que é tão impulsivo, tão angustiante que nem me reconheço em minhas atitudes infantis.
Um querido amigo disse que possuo mil e uma utilidades , gentil colacação, já que não ando merecendo tanto... Porém adoraria que essa opnião fosse compartilhada por um alguém que só me importa mesmo não mais importando...
Acredito que fugir tem sido o melhor remédio, e posso até admitir que isso seja covardia... Ao menos medo sei que é , meu medo de não ter o que não é meu , o que na verdade nunca foi..que me forcei a acreditar ser... sei que não são atitudes de gente grande, mas grande sei que não sou... o que sei é que sou um emaranhado de sentir e possibilidades, confusa, serena , entretida em minha própia ilusão.